Recentemente sai para uma visita a uma exposição na
Pinacoteca de São Paulo e, como amante da fotografia, levei minha câmera.
Caminhando pelos corredores da Pinacoteca lancei meu olhar do terceiro andar
para o térreo e vi uma cena que me chamou a atenção. Uma área quadrada, com um
piso de ladrilhos quadrados e num dos cantos dois bancos quadrados ocupados por
três pessoas. Uma visão minimalista. Não pensei duas vezes, acionei o disparador
e cliquei o momento.
Ao chegar em casa e descarregar as fotos minha surpresa foi
maior ao analisar a cena.
Deparei-me com uma visão desoladora e muito
representativa das relações interpessoais do mundo atual.
Minha imaginação voou longe, vi o simbolismo da família moderna,
literalmente "cada um no seu quadrado". Um filho vivendo seu mundo, seus sonhos e
tristezas no seu isolamento interior. Um pai cansado e uma mãe tentando fugir
da realidade que olham para caminhos opostos, divergentes.
Há espaço para a expansão e para a vida, mas o isolamento
restringe as fronteiras, dá vazão ao individualismo, ao egoísmo a solidão e a
doenças da alma.
Assim caminha a humanidade.
