quarta-feira, 31 de agosto de 2011

SÉRIE TRONCOS E FOLHAS II



Dando continuidade a série Troncos e Folhas convido cada leitor a fazer uma viajem interna e reencontrar sua essência, suas forças e valores. Cada dor, cada perda, cada sofrimento pode ser um degrau a caminho do crescimento e fortalecimento interior. Enquanto muitos nos dias de hoje buscam uma perfeição e uma beleza fabricada em série, se esquecem que cada cicatriz pode representar uma vitória, um recorde, a superação da vida sobre a morte. Pode representar a digital da unicidade, do ser único inserido no universo. 

Sou alta, forte e vistosa, todos que me vêm me admiram, mas quando olham mais atentamente para mim percebem os calos e as cicatrizes que se formaram ao longo de minha existência. A seiva da vida ainda circula dentro de mim e mantém minha esperança.

Cada calo, cada cicatriz reflete a dor do crescimento, perdas sofridas e ao mesmo tempo a superação de muitos obstáculos. 

Quem sou eu? Já nem sei mais. Fui contaminada. Deixei-me levar pela onda do modismo, a minha imunidade caiu e hoje já não me reconheço. Perdi minha identidade.

Fui atingida pelo câncer, minhas feridas estão expostas, mas superei a dor, as mágoas e continuei minha vida. 

Caí e embora minha queda não tenha sido total, fiquei ferida e exposta. Estou sensível, sem esperanças. Será que neste mundo de hoje ainda há espaço para ela?

Um ser sem vida. Uma vida ceifada, interrompida, esfacelada. 

Já fui bela e mesmo hoje sei que o tempo transformou minha beleza, mas continuo atraente. Meus dias estão contados, sinto minhas forças escapando das minhas mãos. Só me resta esperar o outono chegar. Não posso evitar o fim. Deixo saudades e lembranças, sei que estou deixando minha marca.

Aqui jaz sonhos e esperanças não realizadas. Amores desfeitos, projetos inacabados. 
Todos nós já vivenciamos ou iremos vivenciar pelo menos um destes momentos, é a natureza nos ensinando o ciclo da vida, uma vida curta que deve ser vivida da melhor forma possível e deixando nossas marcas para serem lembradas como alguém que viveu e participou deste mundo não de forma superficial e efêmera, mas que direta ou indiretamente contribuiu para um mundo melhor.