domingo, 3 de julho de 2011

SÉRIE TRONCOS E FOLHAS


A fotografia conta histórias e aguça nossa imaginação, o nosso inconsciente. Normalmente quando olhamos uma foto nós viajamos, além da história originalmente contada, nós criamos a nossa própria história. 

Estou velho, cansado. Fui ferido em meu corpo e minha alma.
Externamente pode ser visível as cicatrizes, as rugas e as pragas.
 Internamente só eu sei quantas lágrimas foram derramadas em
silêncio

Ela ativa nossa memória remota, traz a tona sentimentos e emoções de fatos vistos, ouvidos, vividos ou imaginados em nossa mente. Muitas vezes as lembranças surgem da visão de símbolos ou metáforas. É exatamente através destes mecanismos de gatilho que pretendo trabalhar com o tema troncos e folhas.

Meu outono esta próximo. Um dia fui cheia de
vida. Vi a luz do sol, o brilho das estrelas, a claridade
da lua a me iluminar nas noites frias e escuras.
Estou esperando o momento do ultimo suspiro para
seguir a jornada de uma nova vida.

Muitas árvores, quando cortadas, revelam no interior de seus troncos a idade e traumas, como tempestades, secas, incêndios, que passaram durante sua existência. Deixam suas marcas como se fossem suas digitais. 


Toda vez que olho para um tronco de árvore ou uma folha, principalmente seca ou caída, é despertado em mim um olhar para uma trajetória de vida. A força e a fragilidade, os obstáculos, vidas interrompidas, enfim, uma série de sinais que nos deparamos, como humanos em nossas vidas. Enxergo uma linguagem que me sinaliza a prestar mais atenção no mundo ao meu redor e  a olhar para mim mesma com um ser limitado e finito.

Inicio esta série com apenas três fotos e os convido a deixarem o racional de lado e criarem suas próprias histórias, a enxergarem não a imagem em si, mas permitirem que seus próprios símbolos e metáforas os despertem para uma sensibilidade até então sufocada.                                                                                                                                                                                  
                                        

Sinto-me uma remanescente num mundo hostil.
Todos ao meu lado sucumbiram perante as tensões e pressões,
mas mesmo diante da minha fragilidade externa
 minha 
alma tudo suportou. Mesmo no deserto a chama da vida
permanece em mim.

 SM Photo & Arte
Sueli Mozeika