domingo, 9 de outubro de 2011

CONTEMPLAÇÃO

Ontem sai para tentar treinar meu olhar e minha sensibilidade, exercício que acho muito difícil, uma vez que estou acostumada a me manter focada nas minhas necessidades e o mundo externo passa despercebido. Apesar da difícil tarefa, me dei conta que mesmo em meio a este mundo agitado, corrido, as pessoas param alguns minutos para descansar, se descontrair, contemplar a natureza e até aproveitar para tirar uma soneca. 



É impossível adentrar no íntimo de cada um, mas a nossa imaginação pode criar asas e voar tão longe e tão alto quanto desejarmos. Através da minha observação pude observar semelhanças e contrastes e comecei a reavivar minha esperança de que pode existir uma saída para este mundo, pois as pessoas estão começando a parar para contemplar a natureza, a cultuar a benevolência e a participar mais seja com os próprios familiares e até mesmo com os animais. 






















Convido a todos a participarem deste exercício de contemplar o cotidiano, de observar o mundo ao redor, o seu próximo, a natureza, enfim, sair do seu casulo e ver a vida pulsando em todos os sentidos. Garanto que é uma experiência muito rica e gratificante, independente de se sair para fotografar ou não. É um momento de contato com o mundo e também com nossas emoções. 





terça-feira, 4 de outubro de 2011

ACONCHEGO


Foto classificada na II BIENAL ARTE FOTOGRÁFICA NATUREZA EM CORES de 2011, realizada em Ribeirão Preto - SP. Ver link:- http://tinyurl.com/69wd9q8

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

DIVERSIDADES

A 30ª EXPOFLORA DE HOLAMBRA,
neste ano de 2011, alem das diversas  variedades de flores, lançadas a cada ano, investiu nas cores fortes, sejam elas na exuberância das flores, nas vestes e adornos da equipe da feira e shows, objetos e utensílios. Para os olhares atentos é um verdadeiro festival de cor e beleza. 


Um pedacinho da Holanda no estado de São Paulo, um convite a reflexão da preservação da cultura de um povo, de uma nação. 

Neste meu trabalho, além de enfatizar o folclore, procuro focalizar a diversidade através de retratos,  decoração e o toque indispensável da alegria e cores das flores, que é o ponto forte da exposição. 




























quarta-feira, 31 de agosto de 2011

SÉRIE TRONCOS E FOLHAS II



Dando continuidade a série Troncos e Folhas convido cada leitor a fazer uma viajem interna e reencontrar sua essência, suas forças e valores. Cada dor, cada perda, cada sofrimento pode ser um degrau a caminho do crescimento e fortalecimento interior. Enquanto muitos nos dias de hoje buscam uma perfeição e uma beleza fabricada em série, se esquecem que cada cicatriz pode representar uma vitória, um recorde, a superação da vida sobre a morte. Pode representar a digital da unicidade, do ser único inserido no universo. 

Sou alta, forte e vistosa, todos que me vêm me admiram, mas quando olham mais atentamente para mim percebem os calos e as cicatrizes que se formaram ao longo de minha existência. A seiva da vida ainda circula dentro de mim e mantém minha esperança.

Cada calo, cada cicatriz reflete a dor do crescimento, perdas sofridas e ao mesmo tempo a superação de muitos obstáculos. 

Quem sou eu? Já nem sei mais. Fui contaminada. Deixei-me levar pela onda do modismo, a minha imunidade caiu e hoje já não me reconheço. Perdi minha identidade.

Fui atingida pelo câncer, minhas feridas estão expostas, mas superei a dor, as mágoas e continuei minha vida. 

Caí e embora minha queda não tenha sido total, fiquei ferida e exposta. Estou sensível, sem esperanças. Será que neste mundo de hoje ainda há espaço para ela?

Um ser sem vida. Uma vida ceifada, interrompida, esfacelada. 

Já fui bela e mesmo hoje sei que o tempo transformou minha beleza, mas continuo atraente. Meus dias estão contados, sinto minhas forças escapando das minhas mãos. Só me resta esperar o outono chegar. Não posso evitar o fim. Deixo saudades e lembranças, sei que estou deixando minha marca.

Aqui jaz sonhos e esperanças não realizadas. Amores desfeitos, projetos inacabados. 
Todos nós já vivenciamos ou iremos vivenciar pelo menos um destes momentos, é a natureza nos ensinando o ciclo da vida, uma vida curta que deve ser vivida da melhor forma possível e deixando nossas marcas para serem lembradas como alguém que viveu e participou deste mundo não de forma superficial e efêmera, mas que direta ou indiretamente contribuiu para um mundo melhor. 

domingo, 3 de julho de 2011

SÉRIE TRONCOS E FOLHAS


A fotografia conta histórias e aguça nossa imaginação, o nosso inconsciente. Normalmente quando olhamos uma foto nós viajamos, além da história originalmente contada, nós criamos a nossa própria história. 

Estou velho, cansado. Fui ferido em meu corpo e minha alma.
Externamente pode ser visível as cicatrizes, as rugas e as pragas.
 Internamente só eu sei quantas lágrimas foram derramadas em
silêncio

Ela ativa nossa memória remota, traz a tona sentimentos e emoções de fatos vistos, ouvidos, vividos ou imaginados em nossa mente. Muitas vezes as lembranças surgem da visão de símbolos ou metáforas. É exatamente através destes mecanismos de gatilho que pretendo trabalhar com o tema troncos e folhas.

Meu outono esta próximo. Um dia fui cheia de
vida. Vi a luz do sol, o brilho das estrelas, a claridade
da lua a me iluminar nas noites frias e escuras.
Estou esperando o momento do ultimo suspiro para
seguir a jornada de uma nova vida.

Muitas árvores, quando cortadas, revelam no interior de seus troncos a idade e traumas, como tempestades, secas, incêndios, que passaram durante sua existência. Deixam suas marcas como se fossem suas digitais. 


Toda vez que olho para um tronco de árvore ou uma folha, principalmente seca ou caída, é despertado em mim um olhar para uma trajetória de vida. A força e a fragilidade, os obstáculos, vidas interrompidas, enfim, uma série de sinais que nos deparamos, como humanos em nossas vidas. Enxergo uma linguagem que me sinaliza a prestar mais atenção no mundo ao meu redor e  a olhar para mim mesma com um ser limitado e finito.

Inicio esta série com apenas três fotos e os convido a deixarem o racional de lado e criarem suas próprias histórias, a enxergarem não a imagem em si, mas permitirem que seus próprios símbolos e metáforas os despertem para uma sensibilidade até então sufocada.                                                                                                                                                                                  
                                        

Sinto-me uma remanescente num mundo hostil.
Todos ao meu lado sucumbiram perante as tensões e pressões,
mas mesmo diante da minha fragilidade externa
 minha 
alma tudo suportou. Mesmo no deserto a chama da vida
permanece em mim.

 SM Photo & Arte
Sueli Mozeika


segunda-feira, 27 de junho de 2011

INTEMPÉRIES: A FORÇA DO TEMPO

Nada é eterno e o tempo é testemunha disso.  A natureza em sua sabedoria nos mostra de forma clara e expressiva a força do tempo.                                       

Podemos tentar retardar o envelhecimento e a morte, mas um dia chegam, de uma forma brusca, como verdadeiras avalanches ou lenta e sorrateira em forma de doenças crônicas e incapacitantes.

Somos testemunhas das transformações. Elas podem ser retratadas, tudo o que um dia foi belo, forte, poderoso, 


vai se desgastando e degradando, vai desaparecendo para que seu espaço seja preenchido por outros.



Fico encantada ao ver a vida brotando sobre os escombros, muitas vezes mirrada, mas com vitalidade suficiente para tomar o lugar daquilo que um dia foi uma verdadeira fortaleza.


Salomão em sua sabedoria, no livro de Eclesiastes, já fazia tais menções. Para ilustrar, deixo a seguir alguns versículos do capitulo 1 e 2.




1:4- Uma geração vai, e outra geração vem; mas a terra para sempre permanece.

1:5- Nasce o sol, e o sol se põe, e apressa-se e volta ao seu lugar de onde nasceu.


1:16- Falei eu com o meu coração, dizendo: Eis que eu me engrandeci, e sobrepujei em sabedoria a todos os que houve antes de mim em Jerusalém; e o meu coração contemplou abundantemente a sabedoria e o conhecimento.



2:3-Busquei no meu coração como estimular com vinho a minha carne (regendo porém o meu coração com sabedoria), e entregar-me à loucura, até ver o que seria melhor que os filhos dos homens fizessem debaixo do céu durante o número dos dias de sua vida.





2:4- Fiz para mim obras magníficas; edifiquei para mim casas; plantei para mim vinhas.



2:7-Adquiri servos e servas, e tive servos nascidos em casa; também tive grandes possessões de gados e ovelhas, mais do que todos os que houve antes de mim em Jerusalém.

.





2:9- E fui engrandecido, e aumentei mais do que todos os que houve antes de mim em Jerusalém; perseverou também comigo a minha sabedoria.


2:11- E olhei eu para todas as obras que fizeram as minhas mãos, como também para o trabalho que eu, trabalhando, tinha feito, e eis que tudo era vaidade e aflição de espírito, e que proveito nenhum havia debaixo do sol.

Tenho a impressão que nos dias de hoje a vaidade esta imperando em todos os setores das nossas vidas, os valores se inverteram, não há mais comprometimento e compromisso no que se faz. O dinheiro, o poder a luxúria tem tido seu lugar de honra.




É quando me volto para a natureza e vejo épocas de gloria exposta e desaparecendo debaixo do sol, então me lembro de Tiago:

- Digo-vos que não sabeis o que acontecerá amanhã. Porque, que é a vossa vida? É um vapor que aparece por um pouco, e depois se desvanece. Tg 4:14 

Minha proposta neste ensaio é retratar como a força da natureza é muito mais poderosa que a mão do homem, mesmo na adversidade ela se impõe, contrapondo as obras realizadas pelas mãos dos homens que fenecem ao longo do tempo.



Sueli Mozeika
SM Photo & Arte